Mais que Linguagem

Estaca zero

fevereiro 2, 2010 · 4 Comentários

Refugiados haitianos partem para Orlando, na Flórida

Tenho um certo delay com catástrofes. Custa alguns minutos, até que eu consiga conectar todas as explicações políticas, científicas e históricas, estatísticas de mortos, toneladas de construções devastadas com a história e  sentimentos daqueles que, por ironia,  ficam.

No terremoto do Haiti, eu já tinha feito esta conta. E meu coração já solfejava de cor a dor que uma menina de 24 anos (como eu)  provavelmente deveria estar sentido ao perder pai, mãe, irmão e amigos queridos.

Mas, só foi sete dias depois, bem nos 30 degraus suspensos entre meu apartamento  e a caixa de jornal, que consegui, pela primeira vez, mensurar a altura dessa dor.

(o texto continua aqui)

Manter a leitura →

→ 4 ComentáriosCategorias: Fatos
Etiquetado: ,

Nada mais apropriado

dezembro 25, 2009 · Deixe um comentário

… ia deixar para postar esse vídeo na semana que vem, na véspera do início de 2010, exatamente quando completo 24 anos (a idade talvez mais pós-moderna de todas).

Mas o Steve Jobs e sua teoria caíram de uma maneira tão certeira em minhas esperanças, que eu não podia mais adiá-lo da vida. (Só nesta tarde de véspera de natal, eu o assisti umas três vezes. E a cada novo play no vídeo do youtube, mais a ideia de “…você não pode conectar os pontos olhando adiante, você só pode conectá-los olhando para trás” caia como pluma dentro de mim).

Com um tom cool quase de auto-ajuda, deixo a história do criador da Apple e da Pixar como meu presente pra vocês (mas mais pra mim mesma) nesta noite de natal. Espero que faça sentido:

→ Deixe um ComentárioCategorias: Papo
Etiquetado: , ,

Sem perder o fio

dezembro 23, 2009 · 4 Comentários

“Trança voltas, mil desvios sem perder o fio”

Mais reticências e incógnitas do que pontos finais. A década de sonhos incubados vai, aos poucos, terminando assim.

Admito que é difícil continuar confiante de que a linha pela qual ando é, de fato, firme. Os chacoalhões no estômago, e conseqüentes gelos na barriga, denunciam que a corda é bamba e o traçado, finíssimo.

Feitos de bailarina, meus pés doem ao arriscar passos assim.

(o texto continua aqui)

Manter a leitura →

→ 4 ComentáriosCategorias: Papo
Etiquetado: , , ,

Miragens de Cassandra

dezembro 22, 2009 · Deixe um comentário

Nos últimos meses, o silêncio daqui foram as palavras dali.

Volto em instantes.

→ Deixe um ComentárioCategorias: Fatos
Etiquetado: ,

Medo de empresa fantasma e de silêncio

setembro 20, 2009 · 4 Comentários

No meio dos escândalos do Collor e PC Farias, no início dos anos 90, eu inventei de ter medo de empresa fantasma.

Manter a leitura →

→ 4 ComentáriosCategorias: Fatos
Etiquetado: , ,

… pobres necessários ao ritmo divino

setembro 15, 2009 · 1 Comentário

Fórmas brancas de arcanjos que se movem
Em procissões desordenadas dentro de mim,
fóra de mim!
A terra cheia de mulheres tão bonitas
Guarnecendo as ruas, as casas, os cemitérios,
Mulheres feias guarnecendo as ruas e os astros,
Pensamentos escondidos lá onde quasi acaba a lembrança
Anúncios luminosos que o homem fica parado
E esquece de tratar da salvação da alma,
A terra está cheia de pobres necessários ao ritmo divino,
Cheia de amor que chega para todos os homens.
Músicas continuas tocam a manivela nas entranhas do mundo
E o homem elástico de assombração, de músicas, de futuro,
Fabrica maquinas que desviam ele dos pensamentos primários.
Nem a largura nem o comprimento nem a espessura nem o tempo
Não me impedirão de me agarrar num gancho do céu
Porque grandes anjos brancos mexendo dentro de mim e fora de mim
Me dão de vez em quando o desfalecimento único,
Principalmente aquele que vem lá de longe,
Que despenca do Cruzeiro do Sul,
Enorme cheiroso sobre mim.

(Murilo Mendes, REZA em Poemas, 1930, p.27)

Manter a leitura →

→ 1 ComentárioCategorias: Fatos · Literatura
Etiquetado: , ,

Saudade e plenitude

setembro 12, 2009 · 3 Comentários

Os dois novos integrantes da família ainda cabem direitinho no ângulo agudo formado pelo meu cotovelo, braço e antebraço direitos. Mas, eu sei. Logo, logo eles serão tão imensos que minha retina vai ser pequena para medi-los.

Manter a leitura →

→ 3 ComentáriosCategorias: Fatos
Etiquetado: , , ,

Sobre a morte, vida e os resíduos

setembro 5, 2009 · 6 Comentários

Sem qualquer pretensão cult, há algumas semanas, assisti ao filme Horas de Verão, do francês Olivier Assayas. Era dia de promoção na Reserva Cultural e, apesar do coletivo encharcamento de vestidos, meias finas e bolsas, a sala 4 estava lotada. Mas, ninguém se incomodou com o velhinho que não parava de tentar sussurros no ouvido da velhinha dele, duas filas à frente.

Pelo jeito, estavam  impressionados com a frase dita por Hélène, a matriarca de uma família de três filhos , na primeira das duas únicas cenas com pouco sol: “Quando  morrer, não irei sozinha. Levarei segredos, conhecimento, lembranças. O que ficam são os resíduos …”.

Suspirei.

Vinte e três anos após chegar ao mundo, na reta final da (talvez) primeira faculdade e dando as primeiras engatinhadas na vida adulta de verdade, tenho pensado no que farei dos (longos ou curtos) minutos que se estendem do agora até o ponto final do que é terrestre em mim.

Mas, é difícil decidir-se.

Na berlinda estão em jogo as promessas luminosas de um futuro sob o controle de minhas próprias mãos. Lado a lado com a verdade de que minhas certezas são como vento, que meus tão pequenos olhos ainda não sabem enxergar o horizonte inteiro, de que as coisas a que fortemente me agarro são nada mais que resíduos,

de que eu, Eu mesma sou pó …

Helenè

Helenè

Decididos o destino dos resíduos de Hélène e a maneira como cada personagem se organizou diante de seu fim, as luzes da sala 4 da Reserva Cultural se acenderam. Sorridente, minha amiga perguntou se eu tinha gostado ou morrido de tédio. Muito gracinha, respondi com mais alguns comentários sobre cinema europeu.

Duas filas à frente, o velhinho e a velhinha, de mãos dadas, saíam leves, quase livres. Eram os únicos que não tentavam fugir da ideia dos resíduos.

mas, quando pensei em todas as coisas que havia feito e no trabalho que tinha tido para conseguir fazê-las, compreendi que tudo aquilo era ilusão, não tinha nenhum proveito. Era como se eu estivesse correndo atrás do vento“. (Ec 2:11)

“Senhor, ensina-me a contar os meus dias para que eu possa ter um coração sábio” (Sl 90:12)

Por Talita Abrantes

→ 6 ComentáriosCategorias: Filmes
Etiquetado: , , , , , , ,

o seu santo nome, Amor …

agosto 8, 2009 · 8 Comentários

Sou menina.

Talvez , por isso, desde cedo aprendi a banalizar a palavra Amor. Eu tinha uma boneca e um boneco. A Cinde e o Fofão (não, não era aquele que dava medo). Eram os únicos diferentes entre minhas dezenas de bonecos bebezinhos. Viviam trocando juras de amor.

Confundia esse santo nome, Amor, com finais felizes, completude e rosas. Muitas, muitas rosas. Delicadas e doces.  Sem espinhos, obviamente.

Mas, mudei.

Amor está começando a se alojar na brecha que existe entre as palavras Morte e Vida. Exatamente nessa ordem.

Eu sei, nós meninas, aprendemos a nos identificar com aquele confortável movimento egoísta de princesa de conto de fada. Que espera que matem dragões, enforquem bruxas, vençam exércitos apenas por ela. Enquanto, ela mesma desfruta de um amorfo e sem graça sono …

Mas, amorinhos e amorinhas, o Amor exige que nos depertemos dessa sonolência! Pois ele é todo feito de um brusco (e pró-ativo) movimento para fora de si em direção ao outro. De um pular entre abismos. De um vencer a dura estrutura de cada um de nossos poros.

Mas, como dói. Como dói colocar-se nessa corda bamba que é o Amor. Caminho feito de cacos pontiagudos, risco de morte e tanta, tanta incerteza …

Eu sei, a gente, em uma generalizada covardia, se acostumou a colocar tudo sob nosso controle. A nos manter seguros em zonas de falsa paz, rodeados de muros de conforto. Só que o Amor nos chama para fora. E grita tão, tão alto …

… pena que, diariamente, me recuso a ouvir.

“Amar é ser vulnerável”              (C.S. Lewis, em Os Quatro Amores)

“Quem de dentro de si não sai, vai morrer sem amar ninguém” (Vinicius de Moraes, em Berimbau)

“Quem se fecha, não se arrisca, mas a alegria está na rua” (Jorge Camargo)

“O amor dá consentimento a todos e ordena apenas àqueles que consentem. O amor é abdicação. Deus é abdicação.” (Simone Weil)

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jesus, em João 15:13)


→ 8 ComentáriosCategorias: Fatos
Etiquetado: , , , , ,

Alguém como eu…

agosto 7, 2009 · 2 Comentários

Sendo cristão, creio que vivemos em mundos paralelos. Um mundo consiste em montanhas, e lagos, e celeiros, e políticos, e pastores guardando seus rebanhos a noite. O outro consiste em anjos e forças sinistras, e, em algum ponto lá fora, lugares que se chamam céu e inferno. Em uma noite fria, escura, entre as enrugadas montanhas de Belém, aqueles dois mundos se juntaram em um ponto impressionante de intersecção. Deus, que não conhece antes ou o depois, entrou no tempo e no espaço. Deus, que não conhece fronteiras, assumiu as limitações chocantes da pele de um nenê, as restrições sinistras da mortalidade.

“Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”, certo apóstolo escreveu mais tarde; “ Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele”. Mas as poucas testemunhas oculares da noite de Natal não viram nada disso. Viram uma criancinha lutando para usar os pulmões novos em folha …

Philip Yancey,  em “O Jesus que eu nunca conheci”, página 47

→ 2 ComentáriosCategorias: Fatos
Etiquetado: , , , ,