Mais que Linguagem


Nota de rodapé
Julho 5, 2009, 12:56 am
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Anotação do meu caderno de Conceitos da Bíblia Hebraica:

Entre o Êxodo (saída do Egito) e a posse da terra de Canaã (promessa) há um hiato: o deserto. O espaço intermediário entre a servidão e a hegemonia. Este é o lugar onde tudo que se teve é perdido. Mas, o deserto também  pode revelar-se como o lugar onde tudo é ganho. È ali que o povo tem a outorga da Torah – por meio da qual poderiam, enfim, caminhar com D´us.

Embora o deserto seja seco, vazio e sem forma. Lugar onde nada do que tínhamos por valioso faz sentido, é aí que temos a chance de ressignificar nosso relacionamento com Deus. E, finalmente, encontrá-lO.

Selah.



“Não perdi a fama, eu a entreguei”
Junho 1, 2009, 3:26 am
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De nossas famílias herdamos o mesmo sobrenome.  Mas, não devemos ser do mesmo tronco parental. Mesmo assim, a pergunta é quase inevitável quando me conhecem: “o que você acha da nova vida do outro Abrantes?”

Minha resposta apareceu semana passada bem no meio das páginas 52 e 53 da VEJA (Ed.2114/ 27 de maio de 2009) com as palavras do próprio Rodolfo. Questionado sobre o “fim”  da carreira secular até 2001 em franca ascensão, o ex-Raimundos respondeu: “Não perdi a fama, eu a entreguei. Abri  mão dos holofotes para ter uma vida simples e feliz ao lado de Jesus”.

Pra quem nunca teve fama, nem tanto dinheiro e, por isso, sempre mitificou ambas condições, a suposta “tranqüilidade” do R. Abrantes pode soar ultra estranha. Afinal, o cara era do Raimundos, levou as patricinhas a loucura com o “complicada-e-perfeitinha-você-me-apareceu …”, enfim, enfim.  Como uma vida livre de coisas legais assim pode, de fato, ser feliz?

A última frase do episódio de hoje  do Grey´s Anatomy, “I will follow you into the dark”, de certa forma, deu uma coordenada para solucionar a pergunta. O narrador disse algo como “todos nós temos um lado de sombras, e quando elas aparecem é preciso iluminá-las”.

Apesar de realmente não me lembrar da sentença correta , concordo com o roteirista do seriado da Sony. De fato, somos todos feitos da matéria escura e amedrontadora das sombras.   Por mais que façamos coisas para sublimar essa condição, há tanto em nós que nos assusta. Tanto em nós que nos faz disformes, ocos, quase inúteis. Como uma boa sombra (no mal sentido) deve ser.

O bonito é que, apesar das pequenas velas que diariamente acendemos para tentar driblar nosso breu interior, Deus sempre teve consciência de nossa repleta escuridão e do quanto somos carentes do Holofote perene.

Por isso, sem pestanejar, Ele, em sua eterna Luminosidade, veio ao mundo para compartilhar com nós a chama que jamais se acaba. Quando caminhou por aqui (em corpo de gente), Ele disse “Eu sou a Luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a Luz da vida”.

Ao acender a Si mesmo dentro de nós, a Luz afugenta todas nossas sombras e nos permite ver com muita clareza quem na verdade somos. Isso é uma descoberta e tanto. Melhor que qualquer multidão de bilhões de pessoas gritando seu nome, cantando sua música ou elogiando seu texto.Grey´s Anatomy

Dá um barato imenso não se sentir mais corroído por essa substância amorfa que é a sombra. Dá uma imensa liberdade finalmente descobrir quem você é, de onde veio e para onde vá. Questão de leveza, sabe?

Por isso, dizer: “gente, entreguei minha fama, meu senso de controle, meus planos, minha vida”, não me soa mais como loucura. Mas, como perfeita sanidade.



Caos sereno
Abril 13, 2009, 2:35 am
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flywheel_desktop1_1260A gente matutou até não poder mais. Como expressar aquela sensação de tristeza, mas que ao mesmo tempo é alegria?

Complexo.

Às vezes a vida é tão dura. É um caminhar na penumbra, uma sensação de andar sem chão, um peso da espera que faz os ombros formigarem de tanta dor, uma fermata que jamais termina, uma pausa que coloca todo o universo em silêncio e aponta para um horizonte tão, tão informe …

Diante de tanta incerteza é quase impossível manter o sorriso forte no rosto.

Mesmo assim, se ele não permanece (inexplicavelmente) pelo menos dentro da gente uma porção de paradoxos formam sentimentos ininteligíveis para nossos vãos entendimentos.

Vem a tristeza, mas sempre (sempre) fica a esperança. E a esperança nos enche de uma leveza estranha, uma doçura, uma calma, uma certeza tão sem forma, mas tão certa …

Damos a luz a um caos sereno.

As duas palavras apareceram juntas lá pela uma hora e pouco do filme “A Virada” (Flywheel). Primeira produção da dupla de irmãos que produziu o clássico Desafiando os gigantes, o longa conta a história de Jan Austin, um vendedor de carros que abusa da sua retórica para superestimar os valores de seus veículos.

Após uma porção de chacoalhões, Austin faz jus ao título do filme e muda a roda da própria vida. Como resultado perde o controle e chão que todo pai de família prefere ter. Mas, na roda do caos e da angústia, ele permanece sereno e em paz…

O roteiro do filme é bem típico de principiantes. Redundante, repleto de falas e tomadas desnecessárias e enquadramentos experimentais demais. Mesmo assim, vale a pena.

Nem que seja para desligar a tevê cheio de sorrisos por conseguir nomear mais uma confusão interior… e se encher de mais certeza informe. Para mim, foi um máximo finalmente humanizar mais uma parte de mim …



Menino, quer equilibrar um livro?
Abril 2, 2009, 5:26 pm
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De camiseta do São Paulo (sim, minha gente, nada de Timão), ele às 9h34 em ponto dessa quinta 2 de abril reluzia seis bolas de prata de mentira nas duas mãos – não muito maiores que as minhas. Os cinqüenta e três pêlos no bigode recém nascido ainda não davam o esperado ar de homem, másculo, senhor. Para sua frustação, faziam-no mais menino-adolescente ainda.

As duas mãos, os dois olhos e as seis bolas de prata de mentira exercitavam acrobacias entre a inércia dos carros no semáforo da Vital. Bem, ali, ao lado da futura frustrada estação. “Se eu tivesse cinqüenta centavos, estivesse de carro e com os vidros abertos …”, pensei.

O jornalista da Revista Nova Escola (que também é um dos fundadores do Projeto Redigir da ECA), Rodrigo Ratier, tem carro com vidros abertos. Mas substituiu os centavos por livros, nessa sentença e ocasião. Em matéria na edição desse mês, ele conta que pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à fome, divulgada ano passado, revelou que apenas 15% dos moradores de rua do Brasil nunca estudaram.

Para comprovar isso, Ratier narra a reação de um vendedor de balas de 20 anos ao saber que ao invés de dinheiro, ele daria um livro:

“- Tem aí algum do Sidney Sheldon? Era o que eu mais curtia quando estava na cadeia. Foi lá que aprendi a ler.
Na ausência do célebre novelista americano, o critério de seleção se tornou mais simples.
Vitor pegou o exemplar mais grosso da caixa (…)”

Não sei se o menino das bolas reluzentes de prata de mentira algum dia cruzou com Ratier. Só sei que hoje, após finalizar o espetáculo com um incrível rodopio de equilíbrio, guardou as seis na palma da mão e estendeu uma caixa com jeitão de cofrinho em papel de presente rosa-azul bebê. Deve ter ganhado uns sessenta centavos. Nenhum livro.

Quando eu tiver meu carro (e perder o medo do transito), vou parar todo dias as 9h34 em ponto ao lado da futura frustada estação. Para pagá-lo com um livro.

Por enquanto, nenhuma ideia de qual. Você tem alguma sugestão?



Apague as lâmpadas e acenda sua luz
Março 27, 2009, 3:46 am
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Vai ser sábado, minha gente – a parte engajada da população global colocará a mão no interruptor e ficará no escuro por sessenta minutos. Ficou com medo? Não fique não, meu bem. È por uma boa causa. Prometo.

vela_web_1_20342A Hora do Planeta, como a iniciativa foi batizada, começou há dois anos, em um 31 de março, na principal cidade da Austrália. Os 2,2 milhões de habitantes de Sidney apagaram suas luzes como forma de apoiar a luta pela preservação do meio ambiente. Neste ano, o Brasil também se junta aos outros países.  São Paulo e Americana (!!!) estão na lista de cidades que ficarão no breu por uma hora.

Ok, de fato, isso não irá mudar radicalmente o curso da história ambiental do planeta. Mas, obviamente, vale a intenção. E muito.

No início da semana, a NASA divulgou uma simulação de como será a superfície terrestre no ano de 2065.  O dado é, no mínimo, assustador. Pelo estudo, cerca de dois terços (isso mesmo, 2/3) da camada de ozônio terão sumido devido a emissão de CFC (clorofluorcarboneto), composto orgânico presente em gases para refrigeração e aerossóis. O que isso pode significar? Dizem em algumas matérias por aí que, nessas condições, se uma pessoa ficar sob os raios solares por apenas cinco minutos ganhará um bronzeado charmosão, mas queimaduras graves nada bonitas.

Se você lê o Novo Testamento com regularidade, vai lembrar do imperativo “Seja luz do mundo”. Ponto.  Geralmente, dessa premissa básica à todo cristão vem uma porção de atribuições extremamente metafísicas e nada práticas.

Mas, em suma, ser luz é fazer a diferença. Ponto. Mas, não só moralmente falando. Ser luz é andar na contramão do sistema, em todos os aspectos. E isso, obviamente, inclui responsabilidade com o meio ambiente.

Embora não faça uma diferença imensa no resultado final, mas, dadas as condições terrestres, apagar o interruptor às 20h30 do sábado será uma ótima oportunidade para ser luz do mundo. Concorda?



Quando a crise chegar …
Março 20, 2009, 5:18 am
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Meninas (e meninos também), em breve a telona vai ser pequena (para usar uma expressão da emissora do plimplim) para abrigar um trio de … bons atores (e, diga-se de passagem,  bonitões) interpretando um tema ultra mega bombástico. OK, me senti a Sonia Abrão agora. Mas, continuemos …

Ben Affleck, Kevin Costner e (um outro que esqueci o nome )Tommy Lee Jones  começam a gravar na próxima semana o longa metragem “The Company Man” (Os homens da empresa, tradução livre). O filme, de produção independente, irá personificar os impactos da crise econômica mundial por meio da história de um milionário que perde tudo ao ser demitido.

Bem. Para quem sabe da crise apenas de ouvir falar, é legal dar uma olhada em alguns vídeos do G1, matérias da folha e no site da info (hehehe). Mas, em resumo bem prático, ela começou com uma série de calotes no sistema imobiliário estadunidense. Por uma porção de motivos, os bancos facilitaram os empréstimos. Muita gente não pôde pagar e…

… e o mundo acabou nisso que estamos hoje O FMI (Fundo Monetário Internacional, aquele que a gente não engole desde cedo) prevê crescimento de apenas 0,5 % e m 2009. Para o orgão, índices de crescimento menores que 3 % indicam recessão. Ih, pois é. 

Ben Affleck interpretará, em filme, milionário que perde tudo com a crise

Ben Affleck interpretará, em filme, milionário que perde tudo com a crise

Embora esses dados e realidade pareçam tão abstratos e longínquos, tudo está muito perto. Basta puxar papo com quem está aí do seu lado. È o tio da amiga da prima que vai voltar do Japão, o fulano que perdeu o emprego, o siclano que há muito não consegue dormir pelo montante de divididas. Assim, assim …

De tão perto que está, o tema já virou até gancho para algumas mensagens da minha igreja – que nem tem uma tradição tão politizada. Domingo, sem qualquer contexto de teologia da prosperidade, o pastor falou “o mundo está em crise, mas nós em Cristo”. Gostei da ideia.

Não, não estamos imunes ao desemprego, à recessão econômica, aos preços exorbitantes, a apreensão. Mas, se olharmos para Cristo (apenas e totalmente para Ele), conseguiremos passar por tudo isso sem que isso abale a nossa integridade, a nossa alegria … a nossa identidade em Cristo. Não é fórmula mágica. È esperança. È certeza de que além de não estarmos remando sozinhos, estamos navegando a milhas largas para um Porto Seguro.

Tudo bem. Encarar a incerteza da situação dá um baita frio na barriga. E isso, fatalmente, torna essa premissa muitas vezes difícil de ser digerida. Pois bem. É bem aí que vem a fé, a coragem para largar o leme e gritar as coordenadas: “O Senhor é a minha porção, é Ele quem garante meu futuro” (salmos 16:5).

Quando penso assim, mudo completamente o ângulo da minha visão. O alvo sai do meu centro da gravidade e salta para algo tão mais amplo, tão maior. Tão mais imenso que todas crises financeiras, emocionais, espirituais…. juntas. Aí, o que Paulo falou faz todo o sentido:

“De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados. Ficamos perplexos, mas não desesperados. Somos perseguidos, mas não abandonados. Abatidos, mas não destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Cristo, para que também a vida de Jesus seja revelada em nosso corpo. Pois nós, que estamos vivos, somos sempre entregues à morte por amor a Jesus, para que a sua vida também se manifeste em nosso corpo mortal” (2 Coríntios 4:8 -11)



Da fermata
Março 14, 2009, 12:29 am
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Pronto. Fôlego direitinho na garganta. Dedos mais do que treinados.

finalmente, Sinfonia.

Ih, uma fermata *, minha gente. Mais fôlego e ….

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… nada da batuta do Maestro baixar. O ar já nem mais existe no pulmão. A mesma nota? impossível segurar

Ela permanece impassível. Enquanto os dedos formigam, o braço dói e o fôlego foge por cada detalhe da entranha. Com uma fermata dolorida dessas, aposto que não vai ter mais ar (ou mesmo vida) para as outras notas

A batuta desembaraça um rodopio e ….

a platéia vai ao delírio.

Entre novo fôlego e vigor, o músico se lembra: “é ,  a prova da fé produz perseverança. E a perseverança deve ser completa, a fim de que a sinfornia (e eu!) seja madura, íntegra, bonita… sem lhe faltar um minuto, uma coisa sequer” (tiago1:3 e 4). Por mais demoradas que parecessem, fermatas eram cruciais para a perfeição do espetáculo …

a sinfonia continua.

* fermata é um sinal musical colocado acima ou abaixo de uma nota ou pausa, que prolonga a duração dos mesmos por mais tempo que o valor estabelecido. Com isso, o tempo da nota fica submetido ao bem querer do Maestro e sua batuta.



Radical Brasil: Cracolândia/Radical – Aqui
Março 13, 2009, 4:14 am
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Por ter participado de um congresso de  surdos das Missões Nacionais (o braço  missionário da Convenção Batista – se não me engano), recebi dia desses a imagem abaixo em meu e-mail. news_01_radicalcrackAs inscrições vão até o próximo 27 de março. Para participar é preciso preencher uma porção de requisitos – entre eles, ser batista. Bem … tudo bem.

Mesmo assim, a ideia vale para lembrar sobre a responsabilidade nossa no tempo presente, no aqui, no agora. Sem prorrogações.

Embora bem mais longe que um oceano atlântico inteiro, tenho mania de sonhar com a África e com o algum-dia em que para lá irei. Para abraçar aquelas culturas, aprender com aqueles povos, divulgar quem eles são. E, sobretudo,  estender o Carinho Maior a cada pedaço de continente em que eu colocar meus pés.

Mas, para ser/viver  assim não é preciso atravessar um oceano todo. Basta espremer as pálpebras e olhar para o lado. Tirar um pouco o centro de si.  (realmente) Assumir as qualidades que vêm com a desinência cristão:

NÓS ESTAMOS AQUI  para fazer diferença, para corrigir as fraturas do mundo. Um dia por vez, um ato por vez, pelo tempo que for preciso para fazer do mundo um lugar de justiça e compaixão onde os solitários não estejam sós e os carentes encontrem ajuda; onde a súplica do fraco seja atendida e aos injustiçados sejam ouvidos. “As necessidades físicas de outra pessoa são minha obrigação moral”, ensinou um místico judeu. As verdades da religião são elevadas, mas seus deveres estão ao alcance da mão. Nós aprendemos sobre Deus emulando-O, mais do que o contemplando.
Jonathan Sacks em ”Para curar um mundo fraturado” – Editora Sêfer, p. 15.

E tudo isso feito no agora, com quem está do lado. Sem prorrogações …
Mais informações, no site das  Missões Nacionais. Sobre a Cracolândia, google.  Sobre responsabilidade, confira Mateus 8:19 e 20.

PS: Não percam as esperanças – em breve,  voltarão os posts.



finalmente, cabanei
Fevereiro 26, 2009, 11:27 am
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Ainda farei um post sobre a joaninha que aparece no livro. Vai ser viajado. Mas, farei.

Ainda farei um post sobre a joaninha que aparece no livro. Vai ser viajado. Mas, farei.

Pronto. Acabei. E, apesar de todos os poréns de um best-seller, confesso: gostei.

A Cabana é um daqueles livros que você consegue ler, assim, de um fôlego só. Devo ter levado apenas algumas poucas horas do meu sábado e domingo para devorá-lo. A narrativa (tipicamente americana) palpita no ritmo de Hollywood. Completamente visual. Fatalmente, você tem a sensação de que foi transportado pra diante de alguma tela de cinema.

Por isso, Bartira, Vitor e todos os outros viciados em obras de arte literárias, não abram A Cabana com a mesma expectativa com que se abre um livro do Guimarães, Saramago e companhia. O texto de  Willian Young é simples. Leve. Beirando a literatura menor (se é que isso existe).

Mas, o conteúdo… ahhh, o conteúdo. Sabe aquelas questões comuns a todos que já cruzaram pela fé cristã? O mistério da trindade. Deus versus sofrimento. Características divinas. Relacionamento do imortal com o Eterno. Religiosidade. Nós diante de tudo isso…

Pois bem. Tudo isso foi colocado lá na boca de Elousia, ou melhor, Papai. Ou, de Sarayu ou de Jesus. E, apesar da simplicidade, é tudo tão bonitinho. Doce sensação de conversa com Deus.

Tudo bem que há alguns pontos discordantes com muitos dogmas por aí aceitos. Mas… nada que faça o conjunto perder valor. Em uma frase, A Cabana pode ser resumida assim:

Deus estava apaixonado, e o universo é o elaborado presente de um amante que não tem qualquer inclinação de esconder a sua paixão. [extraído de A Bacia das Almas]

Bem. Sim. Eu recomendo.

Leia mais sobre A cabana em “Vamos cabanar no Carnaval?



Uma canção para cada estação
Fevereiro 24, 2009, 12:41 am
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Esporadicamente, algum cantor e suas músicas colam dentro de mim. E,
para horror do meu irmão, passo horas ouvindo as mesmas notas. Nas últimas semanas, o cantor da vez atende pelo nome de Jon Foreman e responde pelo currículo de vocalista da banda Switchfoot.

Ano passado, Foreman (com seus loiros cabelos em forma de franja emo) lançou seu primeiro trabalho solo. Digo, seus quatro primeiros trabalhos solos. Apresentados cada um a cada mudança de estação …

Mágico, não?

Em entrevista à revista Christianity Today (6/8/2008), Foreman explica o projeto: “As estações são um ótimo tipo de metáfora para a decadência e renascimento que experimentamos em nossas próprias vidas. (…) O outono é a minha favorita, pois parece a mais honesta – quando entramos em uma época de decadência. O inverno reconhece a morte, primavera sinaliza o renascimento, e o verão vem com os frutos”. Metáfora ultra pertinente (para usar uma palavra muito comum ao nosso pequeno grupo).

Mais intimista que as músicas do Switchfoot, as letras dos álbuns às vezes soam como um ótimo tapa na cara (como em Instead of a Show que começa com a dura frase “Eu odeio todo seu show e pretensão,  a hipocrisia do seu louvor), em outras como uma doce melodia de amor (destaque para a clássica Your Love is Strong).

Embora letras e melodias sejam tão diferentes a cada CD (ou mesmo a cada faixa), todo este projeto do Foreman, quando visto em conjunto, é completamente coerente. Exatamente porque expressa as questões complexas e paradoxais que temos que encarar todos os dias. E é nessa humanidade tão latente que está o charme de Jon Forema, suas canções e estações. Além, claro, da voz envolvente dele …

As quatro estações de Jon Foreman

Fall

1. The Cure for Pain
2. Southbound Train
3. Lord, Save Me from Myself

4. Equally Skilled
5. The Moon Is a Magnet
6. My Love Goes Free

Winter

1. Learning How to Die
2. Behind Your Eyes
3. Somebody’s Baby
4. White as Snow
5.
I Am Still Running
6. In Love

Spring

1. March (A Prelude to Spring)
2. Love Isn’t Made
3. In My Arms
4. Baptize My Mind
5. Your Love Is Strong
6. Revenge

Summer
1. A Mirror Is Harder to Hold
2. Resurrect Me
3. Deep in Your Eyes
4. Instead of a Show
5. The House of God Forever
6. Again

E aí, o que achou dessa música?