Tudo o que é leve o vento leva.

“Você sabe muito bem que o vento sopra para lá e pra cá. Você o ouve sussurrando por entre as árvores, mas não tem ideia de onde ele vem nem para onde vai. O mesmo acontece com aquele que é nascido do alto pelo vento de Deus, o Espírito de Deus”

João 3:8

encontro

Era o par de olhos mais tristes que já vi. Deviam ter uns 8, 9 …10, no máximo. Nada além. Mas eram a mais nítida mistura de timidez e desesperança. Um olho nos malabares, outro encarado nos do motorista -estes sim de um verde esperança tão marcante que quase não cabiam nos traços dos rosto.

A esperança estava ali, feita em olhos destoantes. E ela  respondeu ao suplício com um dedo positivo.

Só que ao contrário.

c/c Deus (1)

a gente se enche de ídolos, meu Deus. nos viramos para uma pedra e nos curvamos. para a sensação de controle da nossa vida e caímos rosto no chão. que todos os dias eu aprenda a me curvar só a Ti.

o aceno de esperança

No que sofreu, Jesus se tornou o patrono dos desgraçados, paraninfo dos sem-teto, amigo de proscritos. Ele é o ânimo dos que se desgastam pela justiça; o aceno de esperança para os que nadam contra a correnteza. Nele reside a promessa de que o bem semeado no mar da iniquidade jamais será esquecido.

Ricardo Gondim em “Natal, uma vez por ano”

Top lampejos da graça (2)

Apesar do arzinho otimista, tenho uma mania de achar que tudo vai dar errado no final. Que os desafios gigantescos para meu 1,5 metro são fatalmente intransponíveis. E que o cosmos que eu delicadamente construi vai cair soterrado no chão.

Soa dramalhão, eu sei. Mas é assim que parte de mim se faz/se fez. O charme é que Ele também se faz/se fez/se fará. E toda minha tendência de retina estreita, adrenalina no pico e cabeça cheia recebe um “até nunca mais” vindo direto do olhar amoroso Dele.

E é tão bom viver assim. É tão bom checar que tudo, sim, coopera não para que a minha vida seja como eu sempre sonhei. Mas para que ela seja melhor do que tudo que eu possa imaginar. Só porque Ele está junto.

Foi assim nos últimos sete dias. Será assim sempre.

Foi eu, Ele e só. Não podia ter sido melhor. 

Essa semana, quem tá perto, sabe. Vivi um dos desafios mais gritantes daquilo que chamo de vocação (por hora)e que se estende já há seis/sete anos.  Estudei, madruguei, fiz tudo que podia para enlarguecer um pouco os meus limites de linguagem. Mas, do muito que me conheço, sabia que nada seria o suficiente. Na hora H, seria eu, Ele e ponto. E já que eu não sou nada e Ele é o EU SOU, eu tinha que colocar toda minha confiança Nele. Assim foi. E a ideia de “aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” ganhou um novo tom para mim.

Nascer do sol logo ali, na janela à esquerda

 

Meu teclado

E o quanto estou descobrindo que, apesar da falta de talento, ele ainda traz tanta inspiração para mim.

O fim do semestre do irmão nos suspiros finais

e ele ser diferente de mim e ter coragem de bancar o maestro na frente da firma inteira.

Crianças

E o quanto elas são espontâneas, leves e elas mesmas.

top lampejos da graça da semana

contexto: Houve um tempo em que precisei me disciplinar para lembrar que a graça não se faz apenas de coisas imensas, tipo uma cura uma promoção ou muito dinheiro no bolso, como muitas teologias por aí teimam em acreditar.

Ao contrário. O maior (e principal) presente divino que a gente recebeu sem merecer aconteceu em  um cenário bastaaante distante do que essas teorias por aí pregam. Embalado num pacote de dor e aparente fracasso, a cruz e a morte de Deus encarnado sinaliza que a graça exige  pálpebras apertadas para que possamos percebê-la.

Pensando nisso, adotei há algum tempo o hábito de listar todos os lampejos da graça (aqueles momentos que nos tornam leves, mas que de tão comuns passam despercebidos do nosso senso de gratitude Àquele que é o autor de tudo que é bom). O #toplampejosdagraçadasemana é uma tentativa de compartilhar meu valeu, Deus por tudo simples e bom que o Senhor faz.

o que vai ser: durante sete dias, obviamente a graça se faz em zilhões de lampejos. semanalmente, apenas cinco irão parar aqui.

as fotos das crianças do documentário “Nascidos em Bordéis” (Born into Brothels)

“Nascidos em bordéis” é, de longe, meu documentário preferido de todos os tempos. Mostra a saga da  fotógrafa Zana Briski ao ensinar fotografia para crianças do distrito da Luz Vermelha, em Calcutá, na Índia. Todos são filhos de prostitutas ou pessoas ligadas ao mercado do sexo indiano. E o único destino para todas elas é viver desse mercado como prostitutas, cafetães ou viciados – até então. Esta foto foi tirada por Suchitra, a mais velha da turma e a mais próxima da “missão” de se prostituir.

o que vejo quando abro a janela

uma semana de manhãs livres

Faithful women, faithful God – as a  lifestyle.

Passei a semana ouvindo e reouvindo uma mensagem que a Noel Piper (foto), que é a esposa do John, deu em uma conferência para mulheres na Austrália. Baseada em seu livro homônimo, Noel fala sobre mulheres que experimentaram a ideia do verso “Be still and know that I am God”. Dá para ouvir a mensagem inteira e até ler o livro no site Desiring God

O Gtalk e como a presença dos meus pais na minha rotina me faz um bem danado. 

Esta semana, liguei a webcam para que meus pais pudessem ver uma milésima parte do que é a Talita, jornalista. Eles viram a redação e acharam chique, como sempre, hahaha. Às vezes, fico pensando no quanto Deus tem feito pela gente mais do que meus pais devem ter imaginado quando decidiram montar uma família.  Pensando nos prováveis sonhos dos meus pais quando tinham a minha idade, e no que tem acontecido nos últimos anos, não há como não ser grata. Em tempo, a carreira é uma milésima parte de tudo isso.

desejo

que a vida seja assim:

um amontoado de leveza. e fim.

Foto de Laris.Sa*

Life is a happy song

Everything is great everything is grand
I got the whole wide world in the palm of my hand
Everything is perfect its falling into place
I cant seem to wipe this smile off my face

Saiba mais

Paradoxo, pós-modernidade ou encenação

 

” Não encontrei Nem numa sala malocada, cercado de homens armados. O cenário não podia ser mais inocente. Era público, bem iluminado e aberto: o novo campo de futebol da Rocinha, com grama sintética. Crianças e adultos jogavam. O céu estava estrelado e a vista mostrava as luzes dos barracos que abrigam 70 mil moradores. Nem se preparava para entrar em campo. Enfaixava com muitos esparadrapos o tornozelo direito. Mal me olhava nesse ritual. Conversava com um pastor sobre um rapaz viciado de 22 anos: “Pegou ele, pastor? Não pode desistir. A igreja não pode desistir nunca de recuperar alguém. Caraca, ele estava limpo, sem droga, tinha encontrado um emprego… me fala depois”, disse Nem. Colocou o meião, a tornozeleira por cima e levantou, me olhando de frente.”

Meu encontro com o Nem, por Ruth de Aquino, página 54, Revista Época de 14 de novembro 

she is only happy in the sun

Às vezes, a vida exige uma pausa. Dessas tipo feriado chuvoso em são paulo, quando ninguém tem peito suficiente para encarar o ibirapuera e sobra tempo para testar novas receitas ou relembrar as antigas só porque comprou um liquidificador novo.

A vida exige chuva. Não sempre, evidentemente. Mas a vida precisa desse silêncio, dessa falta de trânsito, dessa agenda de linhas em branco. Desse mergulho, questionar de rumos, necessidade de dar nomes às coisas.

A utopia de não apenas ir, mas também fazer o próprio caminho continua a toda. Mas, como tudo, exige um dedilhar de ponteiros e não apenas batidas.

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