
Ainda farei um post sobre a joaninha que aparece no livro. Vai ser viajado. Mas, farei.
Pronto. Acabei. E, apesar de todos os poréns de um best-seller, confesso: gostei.
A Cabana é um daqueles livros que você consegue ler, assim, de um fôlego só. Devo ter levado apenas algumas poucas horas do meu sábado e domingo para devorá-lo. A narrativa (tipicamente americana) palpita no ritmo de Hollywood. Completamente visual. Fatalmente, você tem a sensação de que foi transportado pra diante de alguma tela de cinema.
Por isso, Bartira, Vitor e todos os outros viciados em obras de arte literárias, não abram A Cabana com a mesma expectativa com que se abre um livro do Guimarães, Saramago e companhia. O texto de Willian Young é simples. Leve. Beirando a literatura menor (se é que isso existe).
Mas, o conteúdo… ahhh, o conteúdo. Sabe aquelas questões comuns a todos que já cruzaram pela fé cristã? O mistério da trindade. Deus versus sofrimento. Características divinas. Relacionamento do imortal com o Eterno. Religiosidade. Nós diante de tudo isso…
Pois bem. Tudo isso foi colocado lá na boca de Elousia, ou melhor, Papai. Ou, de Sarayu ou de Jesus. E, apesar da simplicidade, é tudo tão bonitinho. Doce sensação de conversa com Deus.
Tudo bem que há alguns pontos discordantes com muitos dogmas por aí aceitos. Mas… nada que faça o conjunto perder valor. Em uma frase, A Cabana pode ser resumida assim:
“Deus estava apaixonado, e o universo é o elaborado presente de um amante que não tem qualquer inclinação de esconder a sua paixão.“ [extraído de A Bacia das Almas]
Bem. Sim. Eu recomendo.
Leia mais sobre A cabana em “Vamos cabanar no Carnaval?“
Arquivado em: Trilha Sonora | Tags: estações, jon foreman, música, Switchfoot
Esporadicamente, algum cantor e suas músicas colam dentro de mim. E,
para horror do meu irmão, passo horas ouvindo as mesmas notas. Nas últimas semanas, o cantor da vez atende pelo nome de Jon Foreman e responde pelo currículo de vocalista da banda Switchfoot.
Ano passado, Foreman (com seus loiros cabelos em forma de franja emo) lançou seu primeiro trabalho solo. Digo, seus quatro primeiros trabalhos solos. Apresentados cada um a cada mudança de estação …
Mágico, não?
Em entrevista à revista Christianity Today (6/8/2008), Foreman explica o projeto: “As estações são um ótimo tipo de metáfora para a decadência e renascimento que experimentamos em nossas próprias vidas. (…) O outono é a minha favorita, pois parece a mais honesta – quando entramos em uma época de decadência. O inverno reconhece a morte, primavera sinaliza o renascimento, e o verão vem com os frutos”. Metáfora ultra pertinente (para usar uma palavra muito comum ao nosso pequeno grupo).
Mais intimista que as músicas do Switchfoot, as letras dos álbuns às vezes soam como um ótimo tapa na cara (como em Instead of a Show que começa com a dura frase “Eu odeio todo seu show e pretensão, a hipocrisia do seu louvor), em outras como uma doce melodia de amor (destaque para a clássica Your Love is Strong).
Embora letras e melodias sejam tão diferentes a cada CD (ou mesmo a cada faixa), todo este projeto do Foreman, quando visto em conjunto, é completamente coerente. Exatamente porque expressa as questões complexas e paradoxais que temos que encarar todos os dias. E é nessa humanidade tão latente que está o charme de Jon Forema, suas canções e estações. Além, claro, da voz envolvente dele …
Fall
1. The Cure for Pain
2. Southbound Train
3. Lord, Save Me from Myself
4. Equally Skilled
5. The Moon Is a Magnet
6. My Love Goes Free
Winter
1. Learning How to Die
2. Behind Your Eyes
3. Somebody’s Baby
4. White as Snow
5. I Am Still Running
6. In Love
Spring
1. March (A Prelude to Spring)
2. Love Isn’t Made
3. In My Arms
4. Baptize My Mind
5. Your Love Is Strong
6. Revenge
Summer
1. A Mirror Is Harder to Hold
2. Resurrect Me
3. Deep in Your Eyes
4. Instead of a Show
5. The House of God Forever
6. Again
E aí, o que achou dessa música?
Arquivado em: Literatura

A CABANA (Willian Young;tradução de Alves Calado; Sextante; 240 pág; R$ 24,90)
Na minha bagagem para o Carnaval estão Crime e Castigo e o best-seller o Caçador de pipas (que há milhares de meses estou para ler). Mas, mudança de planos. Carnaval 2009 virá com o A Cabana, do canadense Willian Young.
Líder da lista de mais vendidos da VEJA em 2008, A Cabana (incrivelmente) é um livro cristão. Conta a história de um pai que, após perder a filha de uma maneira ultra trágica, refugia-se em uma cabana e lá encontra Deus, o Espírito Santo e Jesus. Face a face. De um jeito bem melhor que Moisés.
O problema (ou não) é que Young descreve a trindade com características bem atípicas. Deus é uma gorda cozinheira negra, o Espírito Santo, uma chinesa, e Jesus, um cara do Oriente Médio que vive tirando sarro do próprio nariz.
Alguns membros da comunidade cristã se arrepiaram com essa ideia. “Mas que heresia absurda”, devem ter comentado naquelas rodinhas de críticos que sempre penduram depois do culto. Outros, por sua vez, viram no livro uma ótima chance para desmitificar o Evangelho e o relacionamento com Deus. Tanto que uma amiga o sugeriu como um bom presente para o amigo secreto do meu trabalho.
Bem, há mais de dois meses o A cabana está brilhando intocável em um dos armários da minha casa de Americana. Hoje, depois de ver uma entrevista com o autor no site Cristianismo Criativo achei que chegou a hora de lê-lo e tirar minhas próprias conclusões.
Na entrevista, de pouco mais de 7 minutos, Young fala que escreveu o livro à pedido da esposa. O objetivo era presentear os filhos no natal de 2005. A obra não ficou impressa a tempo por falta de recursos financeiros. Algum tempo depois, 15 familiares e amigos receberam uma cópia.
Envolvidos com a história, eles iniciaram uma espécie de corrente de leitura do livro. Emprestavam seus exemplares para amigos, que emprestavam para outros, que etecétera. Pouco tempo depois, a caixa postal eletrônica de Young estava abarrotada de parabenizações.
Mesmo assim, editoras cristãs recusavam publicar o livro. Motivo? Herético demais. Já as editoras seculares o achavam cristocentrico demais. Os amigos de Young, então, decidiram criar uma editora só para este fim. E, pronto, meses depois, A cabana tornou-se um best-seller.
Se eu conseguir driblar minha falta de disciplina, semana que vem escrevo um post sobre o livro. Mas, se você já leu ou ouviu falar, por favor, fale sobre isso nos comentários abaixo!
Arquivado em: Literatura

Murilo Mendes
Se nossas ações pudessem ser resumidas em uma palavra, a desinência mais coerente talvez fosse busca. Com ou sem um alvo certo, podendo ou não nomeá-lo, é fato que o tempo todo, em todas as épocas, nós, mortais, vagamos sempre à procura …
Ano passado, fui apresentada (por uma das minhas roomies) ao poeta mineiro Murilo Mendes, um dos principais referenciais do grupo de poetas da primeira metade do século passado que buscava restaurar a poesia em Cristo.
Surrealista e cristão, Mendes teve sua primeira miragem poética revelada não entre as formas de uma linda mulher ou em meio a qualquer outra estrutura terrena, mas em uma estrutura celeste – a figura do cometa Halley em sua aparição em 1910. O mineiro de Juiz de Fora tinha então 9 anos.
Após um período de pouco norte em sua poética, Mendes enveredou pelo “bom caminho” e passou a traduzir em poemas aquilo que a passagem do cometa Harley pela Terra significava: A junção (ainda que momentânea) entre divino e terreno.
Ele, contudo, apenas se aproximou do cristianismo na década de 1920, por influência do artista Ismael Nery e do escritor Jorge de Lima. E foi justamente o sistema filosófico proposto por Nery que fundamentou parte da lógica poética de Murilo. De acordo com a teoria do Essencialismo, como ele chamava, a arte deveria figurar uma realidade que não existe na prática para assim despertar no homem a ideia de que a realidade como hoje é, na verdade, não é aquela que deveria ser.
É por essa realidade-que-deveria-ser que nós, o tempo todo, estamos à procura. Apesar de ser multiforme e, muitas vezes, inconsciente, essa busca revela a origem e molde comum à todos nós.
Na busca por essa essência, o poeta encontrou Cristo, o Deus encarnado, como o primeiro fundamento para toda a vida. “Místico, ele perfura a crosta das instituições e dos costumes culturais para morder a cerne da linguagem religiosa, que é sempre ligação do homem com a totalidade”, escreveu Alfredo Bosi em seu História Concisa da Literatura Brasileira.
(continua)
Se as pessoas portuguesas que criaram a nossa língua tivessem pensado um pouquinho mais na hora de designar o primeiro mês do ano, com certeza, teriam criado uma palavra compatível com esperança. Admita. Mês passado, sua mão pesava de tantas listas com planos. E seu rosto doía de tanto otimismo.
Pois bem. Fevereiro chegou. Menos dias no calendário. Quase uma semana em casa durante o carnaval. E… Vem março. Com ele talvez toda aquela sensação de que não é agora que … (pense na sua meta para esse ano).
Eu nunca fui muito afeita à metas de ano. Mas, durante os encontros semanais no Eldorado com minhas queridas do pequeno grupo, decidimos nos comprometer, da nossa maneira, a contribuir para uma revolução de nossos mundos.
Todas nós, de uma maneira ou de outra, passamos por um tempo de muito crescimento durante todo o ano passado. Chegamos a conclusão de que (vai parecer piegas) nada vem por acaso para nossa vida. A robustez que ganhamos do cuidado de Deus também tem relação com o cuidado de Deus por outras pessoas. O nosso crescimento não está ligado apenas ao Amor Dele por nós, mas também ao Amor Dele por todos outros.
Jesus ensinou isso aos discípulos quando os enviou ao mundo. “Meninos, aquilo que de graça vocês receberam, de graça vocês devem dar”. Tenho uma leve impressão de que este é o ponto para meu 2009 e para o resto da minha vida.
Não por acaso (como adoro usar essa sentença), o último verso da Desert Song cantada no vídeo do post abaixo bonitamente planeja:
* A semente que recebi vou plantar [livríssima tradução]
Confesso que tem sido um máximo olhar para as sementes que ganhei. Além de apontar que tipo de semeador(a) eu sou, dão coordenadas do tipo de solo em que irei pisar e dos frutos que irei colher. Incrível, não?



