A gente matutou até não poder mais. Como expressar aquela sensação de tristeza, mas que ao mesmo tempo é alegria?
Complexo.
Às vezes a vida é tão dura. É um caminhar na penumbra, uma sensação de andar sem chão, um peso da espera que faz os ombros formigarem de tanta dor, uma fermata que jamais termina, uma pausa que coloca todo o universo em silêncio e aponta para um horizonte tão, tão informe …
Diante de tanta incerteza é quase impossível manter o sorriso forte no rosto.
Mesmo assim, se ele não permanece (inexplicavelmente) pelo menos dentro da gente uma porção de paradoxos formam sentimentos ininteligíveis para nossos vãos entendimentos.
Vem a tristeza, mas sempre (sempre) fica a esperança. E a esperança nos enche de uma leveza estranha, uma doçura, uma calma, uma certeza tão sem forma, mas tão certa …
Damos a luz a um caos sereno.
As duas palavras apareceram juntas lá pela uma hora e pouco do filme “A Virada” (Flywheel). Primeira produção da dupla de irmãos que produziu o clássico Desafiando os gigantes, o longa conta a história de Jan Austin, um vendedor de carros que abusa da sua retórica para superestimar os valores de seus veículos.
Após uma porção de chacoalhões, Austin faz jus ao título do filme e muda a roda da própria vida. Como resultado perde o controle e chão que todo pai de família prefere ter. Mas, na roda do caos e da angústia, ele permanece sereno e em paz…
O roteiro do filme é bem típico de principiantes. Redundante, repleto de falas e tomadas desnecessárias e enquadramentos experimentais demais. Mesmo assim, vale a pena.
Nem que seja para desligar a tevê cheio de sorrisos por conseguir nomear mais uma confusão interior… e se encher de mais certeza informe. Para mim, foi um máximo finalmente humanizar mais uma parte de mim …


