Mais que Linguagem


o seu santo nome, Amor …
Agosto 8, 2009, 23:03
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Sou menina.

Talvez , por isso, desde cedo aprendi a banalizar a palavra Amor. Eu tinha uma boneca e um boneco. A Cinde e o Fofão (não, não era aquele que dava medo). Eram os únicos diferentes entre minhas dezenas de bonecos bebezinhos. Viviam trocando juras de amor.

Confundia esse santo nome, Amor, com finais felizes, completude e rosas. Muitas, muitas rosas. Delicadas e doces.  Sem espinhos, obviamente.

Mas, mudei.

Amor está começando a se alojar na brecha que existe entre as palavras Morte e Vida. Exatamente nessa ordem.

Eu sei, nós meninas, aprendemos a nos identificar com aquele confortável movimento egoísta de princesa de conto de fada. Que espera que matem dragões, enforquem bruxas, vençam exércitos apenas por ela. Enquanto, ela mesma desfruta de um amorfo e sem graça sono …

Mas, amorinhos e amorinhas, o Amor exige que nos depertemos dessa sonolência! Pois ele é todo feito de um brusco (e pró-ativo) movimento para fora de si em direção ao outro. De um pular entre abismos. De um vencer a dura estrutura de cada um de nossos poros.

Mas, como dói. Como dói colocar-se nessa corda bamba que é o Amor. Caminho feito de cacos pontiagudos, risco de morte e tanta, tanta incerteza …

Eu sei, a gente, em uma generalizada covardia, se acostumou a colocar tudo sob nosso controle. A nos manter seguros em zonas de falsa paz, rodeados de muros de conforto. Só que o Amor nos chama para fora. E grita tão, tão alto …

… pena que, diariamente, me recuso a ouvir.

“Amar é ser vulnerável”              (C.S. Lewis, em Os Quatro Amores)

“Quem de dentro de si não sai, vai morrer sem amar ninguém” (Vinicius de Moraes, em Berimbau)

“Quem se fecha, não se arrisca, mas a alegria está na rua” (Jorge Camargo)

“O amor dá consentimento a todos e ordena apenas àqueles que consentem. O amor é abdicação. Deus é abdicação.” (Simone Weil)

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jesus, em João 15:13)




Alguém como eu…
Agosto 7, 2009, 0:49
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Sendo cristão, creio que vivemos em mundos paralelos. Um mundo consiste em montanhas, e lagos, e celeiros, e políticos, e pastores guardando seus rebanhos a noite. O outro consiste em anjos e forças sinistras, e, em algum ponto lá fora, lugares que se chamam céu e inferno. Em uma noite fria, escura, entre as enrugadas montanhas de Belém, aqueles dois mundos se juntaram em um ponto impressionante de intersecção. Deus, que não conhece antes ou o depois, entrou no tempo e no espaço. Deus, que não conhece fronteiras, assumiu as limitações chocantes da pele de um nenê, as restrições sinistras da mortalidade.

“Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”, certo apóstolo escreveu mais tarde; “ Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele”. Mas as poucas testemunhas oculares da noite de Natal não viram nada disso. Viram uma criancinha lutando para usar os pulmões novos em folha …

Philip Yancey,  em “O Jesus que eu nunca conheci”, página 47