Arquivado em: Fatos | Tags: amor, berimbau, c.s. lewis, Jesus, vinicius de moraes, vulnerável
Sou menina.
Talvez , por isso, desde cedo aprendi a banalizar a palavra Amor. Eu tinha uma boneca e um boneco. A Cinde e o Fofão (não, não era aquele que dava medo). Eram os únicos diferentes entre minhas dezenas de bonecos bebezinhos. Viviam trocando juras de amor.
Confundia esse santo nome, Amor, com finais felizes, completude e rosas. Muitas, muitas rosas. Delicadas e doces. Sem espinhos, obviamente.
Mas, mudei.
Amor está começando a se alojar na brecha que existe entre as palavras Morte e Vida. Exatamente nessa ordem.
Eu sei, nós meninas, aprendemos a nos identificar com aquele confortável movimento egoísta de princesa de conto de fada. Que espera que matem dragões, enforquem bruxas, vençam exércitos apenas por ela. Enquanto, ela mesma desfruta de um amorfo e sem graça sono …
Mas, amorinhos e amorinhas, o Amor exige que nos depertemos dessa sonolência! Pois ele é todo feito de um brusco (e pró-ativo) movimento para fora de si em direção ao outro. De um pular entre abismos. De um vencer a dura estrutura de cada um de nossos poros.
Mas, como dói. Como dói colocar-se nessa corda bamba que é o Amor. Caminho feito de cacos pontiagudos, risco de morte e tanta, tanta incerteza …
Eu sei, a gente, em uma generalizada covardia, se acostumou a colocar tudo sob nosso controle. A nos manter seguros em zonas de falsa paz, rodeados de muros de conforto. Só que o Amor nos chama para fora. E grita tão, tão alto …
… pena que, diariamente, me recuso a ouvir.
“Amar é ser vulnerável” (C.S. Lewis, em Os Quatro Amores)
“Quem de dentro de si não sai, vai morrer sem amar ninguém” (Vinicius de Moraes, em Berimbau)
“Quem se fecha, não se arrisca, mas a alegria está na rua” (Jorge Camargo)
“O amor dá consentimento a todos e ordena apenas àqueles que consentem. O amor é abdicação. Deus é abdicação.” (Simone Weil)
“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jesus, em João 15:13)
7 Comentários até o momento
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Acredito que era o que eu precisava ler nesta noite de domingo.
Comentário por maria carolina Agosto 9, 2009 @ 22:59Fantástico.
É, acho que estamos muito acostumados com o sentido mais corriqueiro da palavra “amor” e esquecemos do Amor, esse com A maiúsculo, que se deve estender a tudo e a todos, sem preconceitos, rumo ao horizonte no qual reside um mundo decente. E realmente, esse Amor é totalmente ativo, e depende de um movimento de dentro pra fora.
Ah, e curti muito o uso dos diferentes alinhamentos de parágrafo! Complementaram muito bem o texto
Comentário por Thiago Schiefer Agosto 9, 2009 @ 23:05Amiga, que texto lindo!
Comentário por Val Camacho Agosto 10, 2009 @ 17:47adorei e…não se recuse a ouvir oras!
Texto lindíssimo!
Comentário por marianaft Agosto 11, 2009 @ 17:08Lindo texto!!
Comentário por IVANEIDE Agosto 11, 2009 @ 22:59Adorei.É profundo e ao mesmo tempo singelo.
Eu sempre achei que o que faz um bom escritor é a quantidade de vulnerabilidade que ele expõe quando escreve. É permitir que o outro se veja dentro da gente. Vc faz isso muito bem, Ta! Parabéns.
Comentário por VanessaD' Agosto 19, 2009 @ 22:43[...] obs.: Saiba sobre o lado difícil e doloroso do amor neste texto: http://maisquelinguagem.wordpress.com/2009/08/08/o-seu-santo-nome-amor/ [...]
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