Arquivado em: Fatos | Tags: Banda Catedral, empresa fantasma, espera, fé, fermata, música, medo de silêncio, O silêncio
No meio dos escândalos do Collor e PC Farias, no início dos anos 90, eu inventei de ter medo de empresa fantasma.
Meus pais, que só recentemente entenderam a razão dos meus constantes berros de madrugada, dedicaram, na época, uma das horas de historinha para a leitura do livro Barulhinhos do Silêncio, da Sonia Salerno Forjaz, sobre um menininho que morria de medo dos ruídos amplificados pelo silêncio na calada da noite.
Aos poucos, a historinha e outros didatismos criados pelos meus pais (entre eles, o presente de aprender a orar a noite) espantaram meu medo de empresas fantasmas, sombras em forma de faca e de sonhar com caixão.
Ficou só o medo do silêncio.
Feito de pretenso nada, ele frustra minha tendência de humanizar tudo que me cruza e, ao mesmo tempo, denuncia ruídos de fundo que teimam destoar minha quase harmoniosa melodia.
Nessas horas, o impulso é aumentar o som do mundo para uns mil decibéis. Quem sabe surdo, meu coração abafe ou não se incomode mais com sons difíceis de lidar?
Contra eu mesma, no entanto, estou tentando segurar o botão de volume do mundo e de mim. Talvez, com o Silêncio, eu aprenda a transformar ruídos em melodia.
Uma bolha sobe do fundo do mar
Uma palavra sobe das funduras do silêncio
Inesperada, emissária de um mundo esquecido
Nosso mistério, nossa oração
Há palavras que dizemos e outras que se dizem
Existem em nós, não atendem a nossa voz
“São como o vento que sopra onde quer
Se ouvirmos o sopro, palavras de oração”Pássaro selvagem que mora em nós
Longe do que nós sabemos, no lugar dos sonhos
Fora da morada dos pensamentos
Temos medo das palavras que se dizem
Por isso falamos palavras contra palavras
Quando orares, não sejais como artistas
“Que falam palavras que não são suas,
que usam máscaras decoradas”Entra no silêncio, longe dos outros
Que as palavras se dirão, depois da espera
Entra no silêncio, longe dos muitos
E escuta uma única palavra
Que irá subir do fundo do mar
Basta ouvir uma vez e depois, o silêncio.
(Banda Catedral, O Silêncio)
Uma bolha sobe do fundo do mar
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Nossa! Quanta noltagia essa música traz!Há muito tempo não a ouvia.
Comentário por Bartira Ferraz Setembro 21, 2009 @ 17:10“E, havendo aberto o sétimo selo, fez-se silêncio no céu quase por meia hora.”
(Apocalipse 8:1)
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Comentário por Alexandre de Sá Setembro 27, 2009 @ 1:35